
Abra qualquer livro, jornal ou site de notícias e observe os verbos. A maioria esmagadora estará conjugada na terceira pessoa — “ele disse”, “ela escreveu”, “o governo anunciou”, “as empresas investem”, “você precisa”. Isso não é coincidência mas reflexo de como comunicamos sobre mundo ao nosso redor. Terceira pessoa é perspectiva gramatical que usamos para falar sobre alguém ou algo que não somos nós (primeira pessoa) nem a pessoa com quem falamos diretamente (segunda pessoa). É voz da narrativa, do jornalismo, da descrição objetiva, da instrução impessoal. Dominar conjugações de terceira pessoa é essencial para qualquer estudante de português porque permite descrever ações de outros, contar histórias, relatar fatos, e comunicar-se formalmente.
Em português brasileiro moderno, terceira pessoa tem peculiaridade fascinante: “você” e “vocês” — pronomes que historicamente eram segunda pessoa formal derivados de “Vossa Mercê” — são conjugados gramaticalmente como terceira pessoa. Isso significa que quando falamos diretamente com alguém usando “você” (forma dominante no Brasil, substituindo “tu” em maioria das regiões), usamos mesmas conjugações verbais que para “ele/ela”. Compare: “você fala” / “ele fala” — mesma forma. Isso simplifica sistema comparado a línguas que mantêm distinções rígidas entre segunda e terceira pessoa, mas também pode confundir estudantes que precisam entender que “você”, apesar de referir-se a interlocutor, funciona gramaticalmente como terceira pessoa.
Terceira pessoa divide-se em singular (ele, ela, você) e plural (eles, elas, vocês). Cada tempo verbal — presente, pretérito perfeito, imperfeito, futuro, condicional, subjuntivo — tem conjugações específicas para essas pessoas gramaticais. Verbos regulares seguem padrões previsíveis baseados em terminação do infinitivo (-ar, -er, -ir), mas verbos irregulares — e português tem muitos — apresentam mudanças de radical que precisam ser memorizadas. “Fazer” vira “faz” (não “faze”), “poder” vira “pode” (não “pôde” no presente), “ir” vira “vai” (mudança radical completa).
Importância de dominar terceira pessoa estende-se além de gramática acadêmica. Em contextos profissionais, relatórios são escritos em terceira pessoa para manter objetividade: “A empresa atingiu metas” em vez de “Nós atingimos metas”. Instruções técnicas usam terceira pessoa impessoal: “O usuário deve clicar” ou “Clica-se aqui”. Literatura narrativa em terceira pessoa (narrador onisciente ou limitado) é forma dominante de ficção. Jornalismo reporta em terceira pessoa para aparência de neutralidade. Correspondências formais usam “você” (terceira pessoa gramatical) em vez de “tu” (segunda pessoa) para respeito e distância apropriada.
Neste artigo, você encontrará 100 exemplos concretos de verbos conjugados na terceira pessoa organizados por tempo verbal, tipo de verbo (regular/irregular), e contexto de uso. Cada exemplo virá com contexto prático mostrando como verbo é usado em frases reais do cotidiano, não apenas formas isoladas em tabelas de conjugação. Você também aprenderá diferenças entre terceira pessoa singular e plural, peculiaridades de verbos irregulares mais comuns, quando usar cada tempo verbal, e erros frequentes que até falantes nativos cometem. Há seções sobre concordância verbal (singular vs. plural), uso de pronomes de terceira pessoa em diferentes regiões do Brasil, e técnicas para memorizar conjugações irregulares. Ao final, terá não apenas lista de 100 exemplos mas compreensão profunda de mecânicas de terceira pessoa que transformará sua capacidade de ler, escrever e falar português com precisão gramatical e naturalidade.
O Que É Terceira Pessoa
Terceira pessoa é perspectiva gramatical usada para falar sobre alguém ou algo que não está diretamente envolvido no ato de comunicação — não é quem fala (primeira pessoa: eu, nós) nem quem escuta (segunda pessoa tradicional: tu, vós).
Pronomes de terceira pessoa em português são:
Singular:
– Ele — masculino singular
– Ela — feminino singular
– Você — forma de tratamento formal que se tornou informal no Brasil, conjugada como terceira pessoa
Plural:
– Eles — masculino plural ou misto
– Elas — feminino plural
– Vocês — plural de “você”, forma dominante no Brasil
Peculiaridade importante: em português brasileiro contemporâneo, “tu” (segunda pessoa singular tradicional) praticamente desapareceu da maioria das regiões, substituído por “você”. Mas “você” — apesar de referir-se a interlocutor — é conjugado como terceira pessoa. Isso cria situação única onde falamos diretamente com alguém mas usamos conjugação de terceira pessoa: “Você vai à festa?” usa mesma forma verbal que “Ele vai à festa?”
Terceira pessoa também é usada para sujeitos que não são pronomes pessoais mas substantivos: “O cachorro late”, “As crianças brincam”, “A empresa cresce”, “Os países cooperam”. Verbo concorda com número (singular/plural) e pessoa gramatical do sujeito.
100 Exemplos Organizados Por Tempo Verbal
Presente do Indicativo (20 exemplos)
Singular (ele/ela/você):
1. Fala — “Ele fala três idiomas fluentemente.”
2. Come — “Ela come salada todos os dias no almoço.”
3. Parte — “O ônibus parte às seis da manhã.”
4. Estuda — “Você estuda medicina na universidade federal?”
5. Trabalha — “Ela trabalha em hospital como enfermeira.”
6. Vive — “Ele vive no exterior há dez anos.”
7. Aprende — “A criança aprende rápido na escola.”
8. Pensa — “Você pensa muito antes de tomar decisões.”
9. Bebe — “Ele bebe café preto sem açúcar.”
10. Escreve — “Ela escreve romances nas horas vagas.”
Plural (eles/elas/vocês):
11. Falam — “Eles falam muito durante as reuniões.”
12. Comem — “As crianças comem pouco vegetais.”
13. Partem — “Os aviões partem deste terminal internacional.”
14. Estudam — “Vocês estudam juntos para as provas?”
15. Trabalham — “Elas trabalham no mesmo escritório.”
16. Vivem — “Eles vivem em apartamento pequeno no centro.”
17. Aprendem — “Os alunos aprendem melhor com exemplos práticos.”
18. Pensam — “Vocês pensam em viajar nas férias?”
19. Bebem — “Eles bebem apenas água filtrada.”
20. Escrevem — “As jornalistas escrevem artigos diariamente.”
Pretérito Perfeito (20 exemplos)
Singular:
21. Falou — “Ele falou a verdade durante depoimento.”
22. Comeu — “Ela comeu tudo que estava no prato.”
23. Partiu — “O navio partiu antes do amanhecer.”
24. Estudou — “Você estudou a noite inteira para prova?”
25. Trabalhou — “Ele trabalhou vinte anos na mesma empresa.”
26. Viveu — “Ela viveu experiências incríveis na juventude.”
27. Aprendeu — “A menina aprendeu a nadar no verão passado.”
28. Pensou — “Você pensou bem antes de aceitar proposta?”
29. Bebeu — “Ele bebeu água gelada depois da corrida.”
30. Escreveu — “Ela escreveu carta emocionante para família.”
Plural:
31. Falaram — “Eles falaram sobre problema abertamente.”
32. Comeram — “As crianças comeram todo bolo de aniversário.”
33. Partiram — “Os turistas partiram cedo pela manhã.”
34. Estudaram — “Vocês estudaram bastante para exame final?”
35. Trabalharam — “Elas trabalharam até tarde ontem.”
36. Viveram — “Eles viveram momentos difíceis durante crise.”
37. Aprenderam — “Os estudantes aprenderam lição importante.”
38. Pensaram — “Vocês pensaram em todas consequências?”
39. Beberam — “Eles beberam champanhe para comemorar.”
40. Escreveram — “As autoras escreveram livro em coautoria.”
Pretérito Imperfeito (10 exemplos)
41. Falava — “Ele falava baixo quando estava nervoso.”
42. Comia — “Ela comia devagar saboreando cada garfada.”
43. Partia — “O trem partia sempre no horário naquela época.”
44. Estudava — “Você estudava piano quando era criança?”
45. Trabalhava — “Ele trabalhava como professor antes.”
46. Falavam — “Eles falavam francês em casa antigamente.”
47. Comiam — “As famílias comiam juntas aos domingos.”
48. Estudavam — “Vocês estudavam na mesma escola?”
49. Trabalhavam — “Elas trabalhavam meio período naquele tempo.”
50. Viviam — “Eles viviam felizes antes da separação.”
Futuro do Presente (10 exemplos)
51. Falará — “Ele falará sobre projeto na próxima reunião.”
52. Comerá — “Ela comerá mais saudável a partir de amanhã.”
53. Partirá — “O voo partirá com duas horas de atraso.”
54. Estudará — “Você estudará para concurso público?”
55. Trabalhará — “Ele trabalhará remotamente daqui em diante.”
56. Falarão — “Eles falarão com advogado amanhã.”
57. Comerão — “As crianças comerão bolo depois do jantar.”
58. Estudarão — “Vocês estudarão juntos para prova final?”
59. Trabalharão — “Elas trabalharão no novo projeto da empresa.”
60. Viverão — “Eles viverão em outro país no próximo ano.”
Futuro do Pretérito/Condicional (10 exemplos)
61. Falaria — “Ele falaria se tivesse coragem.”
62. Comeria — “Ela comeria mais se estivesse com fome.”
63. Partiria — “O barco partiria se tempo melhorasse.”
64. Estudaria — “Você estudaria medicina se pudesse?”
65. Trabalharia — “Ele trabalharia lá se pagassem melhor.”
66. Falariam — “Eles falariam verdade se pressionados.”
67. Comeriam — “As crianças comeriam tudo se soubesse gosto.”
68. Estudariam — “Vocês estudariam mais se tivessem tempo?”
69. Trabalhariam — “Elas trabalhariam fim de semana por hora extra.”
70. Viveriam — “Eles viveriam melhor com salário maior.”
Verbos Irregulares Comuns (20 exemplos)
71. É/São — “Ele é médico.” / “Eles são professores.” (verbo ser)
72. Está/Estão — “Ela está cansada.” / “Elas estão felizes.” (verbo estar)
73. Tem/Têm — “Você tem razão.” / “Vocês têm experiência?” (verbo ter)
74. Vai/Vão — “Ele vai embora.” / “Eles vão viajar.” (verbo ir)
75. Faz/Fazem — “Ela faz exercícios.” / “Elas fazem yoga.” (verbo fazer)
76. Pode/Podem — “Você pode ajudar?” / “Vocês podem esperar?” (verbo poder)
77. Quer/Querem — “Ele quer café.” / “Eles querem água.” (verbo querer)
78. Sabe/Sabem — “Ela sabe tocar piano.” / “Elas sabem a resposta.” (verbo saber)
79. Diz/Dizem — “Você diz sempre verdade?” / “Vocês dizem bobagens.” (verbo dizer)
80. Vê/Veem — “Ele vê bem sem óculos.” / “Eles veem problema aí.” (verbo ver)
81. Dá/Dão — “Ela dá aulas particulares.” / “Elas dão dinheiro para caridade.” (verbo dar)
82. Põe/Põem — “Você põe açúcar no café?” / “Vocês põem fé nisso?” (verbo pôr)
83. Vem/Vêm — “Ele vem de longe.” / “Eles vêm toda semana.” (verbo vir)
84. Traz/Trazem — “Ela traz almoço de casa.” / “Elas trazem boas notícias.” (verbo trazer)
85. Pede/Pedem — “Você pede desculpas?” / “Vocês pedem ajuda quando precisam?” (verbo pedir)
86. Lê/Leem — “Ele lê jornal diariamente.” / “Eles leem muito.” (verbo ler)
87. Cabe/Cabem — “A roupa cabe nela.” / “As malas cabem no porta-malas.” (verbo caber)
88. Sai/Saem — “Ela sai cedo.” / “Elas saem juntas.” (verbo sair)
89. Cai/Caem — “O telefone cai muito.” / “As folhas caem no outono.” (verbo cair)
90. Ouve/Ouvem — “Você ouve música clássica?” / “Vocês ouvem o barulho?” (verbo ouvir)
Tempos Compostos (10 exemplos)
91. Tem falado — “Ele tem falado muito sobre mudança.”
92. Tem comido — “Ela tem comido mais saudável ultimamente.”
93. Tem estudado — “Você tem estudado para prova?”
94. Tem trabalhado — “Ele tem trabalhado demais.”
95. Tem vivido — “Ela tem vivido momentos felizes.”
96. Têm falado — “Eles têm falado sobre casamento.”
97. Têm comido — “As crianças têm comido bem na escola.”
98. Têm estudado — “Vocês têm estudado juntos?”
99. Têm trabalhado — “Elas têm trabalhado em projetos interessantes.”
100. Têm vivido — “Eles têm vivido na mesma casa há anos.”
Diferença Entre Terceira Pessoa Singular e Plural
Distinção fundamental na conjugação verbal é concordância de número — singular versus plural.
Terminações típicas no presente do indicativo:
Verbos em -AR (primeira conjugação):
– Singular: -a (ele/ela/você fala)
– Plural: -am (eles/elas/vocês falam)
Verbos em -ER (segunda conjugação):
– Singular: -e (ele/ela/você come)
– Plural: -em (eles/elas/vocês comem)
Verbos em -IR (terceira conjugação):
– Singular: -e (ele/ela/você parte)
– Plural: -em (eles/elas/vocês partem)
Erro comum: Confundir plural de segunda conjugação (-em) com terceira conjugação (-em) versus singular. Ambas terminam em -em no plural mas pronúncia pode diferir ligeiramente dependendo de sotaque regional.
Concordância com sujeito composto: Quando sujeito é formado por múltiplos elementos, verbo vai para plural: “João e Maria trabalham juntos” (não “trabalha”). Mesmo se cada elemento é singular, conjunto exige plural.
Atenção com “vocês”: Embora “vocês” seja tratamento para múltiplas pessoas (segunda pessoa semanticamente), é conjugado como terceira pessoa plural gramaticalmente: “Vocês vão” (não “vais”).
Verbos Irregulares Mais Importantes
Verbos irregulares não seguem padrões regulares de conjugação. Mudanças podem afetar radical, terminação, ou ambos. Em terceira pessoa, irregularidades mais comuns incluem:
Ser — Completamente irregular: é/são (não “sê/sem”)
Estar — Irregular no radical: está/estão (mantém alguma regularidade)
Ter — Irregular: tem/têm (note acento circunflexo no plural para diferenciar de singular)
Ir — Completamente irregular: vai/vão (não guarda relação com infinitivo “ir”)
Fazer — Irregular no singular: faz (não “faze”)
Poder — Mudança vocálica: pode/podem (o vira ô/õ)
Pôr — Irregular: põe/põem (com circunflexo)
Ver — Irregular: vê/veem (plural tem dois “e”)
Vir — Completamente irregular: vem/vêm (singular sem acento, plural com circunflexo)
Dizer — Irregular: diz/dizem (não “dize”)
Trazer — Irregular: traz/trazem (não “traze”)
Pedir — Mudança vocálica: pede/pedem (e do radical muda)
Estratégia de memorização: Verbos irregulares mais comuns são também mais frequentes na fala cotidiana. Exposição repetida através de leitura e conversação é forma mais eficaz de internalizá-los. Criar flashcards com conjugações problemáticas também ajuda.
Quando Usar Cada Tempo Verbal
Presente — Ações habituais, verdades universais, estado atual: “Ele trabalha todo dia”, “A Terra gira ao redor do Sol”, “Ela está cansada”.
Pretérito Perfeito — Ações completadas no passado com início e fim definidos: “Ele falou ontem”, “Ela comeu às duas”.
Pretérito Imperfeito — Ações habituais no passado, ações em progresso no passado, descrições: “Ele falava muito quando criança”, “Enquanto ela comia, o telefone tocou”.
Futuro do Presente — Ações que acontecerão: “Ele falará amanhã”, “Ela comerá depois”.
Futuro do Pretérito (Condicional) — Hipóteses, ações que aconteceriam sob condições: “Ele falaria se pudesse”, “Ela comeria se tivesse fome”.
Tempos Compostos — Ações que começaram no passado e continuam ou têm relevância no presente: “Ele tem falado muito” (e ainda fala).
Uso Regional de “Você” vs “Tu”
No Brasil, uso de pronomes de tratamento varia geograficamente:
Maioria das regiões (Sul urbano, Sudeste, Centro-Oeste, Norte urbano): “Você” domina completamente. “Tu” praticamente não existe na fala cotidiana. Conjugação de terceira pessoa singular: “Você vai?”
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, alguns pontos do Norte e Nordeste: “Tu” é usado mas frequentemente com conjugação errada gramaticalmente — “tu vai” em vez de “tu vais”. Fenômeno chamado “tu com concordância de você”. Puristas criticam mas é realidade linguística consolidada.
Português europeu: “Tu” com conjugação correta de segunda pessoa é norma: “Tu vais” (não “tu vai”). “Você” existe mas é mais formal/distante.
Para estudantes: no Brasil, aprenda conjugações de “você” (terceira pessoa) como prioritárias. São usadas em 90% das situações cotidianas na maioria do país.
FAQs sobre 100 Exemplos De Verbos De Terceira Pessoa
Por que “você” é terceira pessoa se falo diretamente com pessoa?
“Você” tem origem histórica em “Vossa Mercê” — forma de tratamento respeitoso de terceira pessoa usada para referir-se indiretamente a pessoas de status superior. “Vossa Mercê deseja?” significava literalmente “A graça de vossa pessoa deseja?” — falando sobre pessoa, não com pessoa diretamente. Com tempo, “Vossa Mercê” → “Vosmecê” → “Você”, mas manteve conjugação de terceira pessoa. No Brasil, “você” substituiu “tu” (segunda pessoa) na maioria das regiões, criando situação onde tratamento direto usa conjugação de terceira pessoa. É peculiaridade histórica do português brasileiro que simplifica sistema verbal eliminando muitas formas de segunda pessoa tradicional.
Como diferenciar “tem” (singular) de “têm” (plural) na escrita?
Singular “tem” não tem acento; plural “têm” tem acento circunflexo. “Ele tem carro” vs “Eles têm carro”. Mesma regra aplica-se a “vem/vêm” (verbo vir): “Ele vem” vs “Eles vêm”. Erro comum é omitir acento no plural, tornando ambíguo se sujeito é singular ou plural. Na fala, distinção é clara por pronúncia ligeiramente diferente (ê mais fechado no singular, ẽ mais nasal no plural em algumas regiões). Na escrita formal, acento é obrigatório. Dica mnemônica: plural tem “algo a mais” então tem acento a mais.
Posso usar “a gente” em vez de “nós”?
Sim, mas “a gente” é conjugado como terceira pessoa singular, não primeira plural. “Nós vamos” (primeira pessoa plural) vs “A gente vai” (terceira pessoa singular gramaticalmente, embora semanticamente signifique “nós”). “A gente” é extremamente comum em português brasileiro coloquial, praticamente substituindo “nós” na fala cotidiana. Em contextos formais escritos (documentos oficiais, trabalhos acadêmicos), “nós” é preferido. Mas em conversação normal e até em jornalismo, “a gente” é perfeitamente aceitável. Cuidado: conjugue como terceira singular — “A gente vai” (correto), não “A gente vamos” (errado, mistura pessoa gramatical).
Qual diferença entre “ele comia” e “ele comeu”?
“Comia” (pretérito imperfeito) indica ação habitual ou em progresso no passado; “comeu” (pretérito perfeito) indica ação completada pontualmente. “Ele comia pizza toda sexta” = hábito no passado, acontecia repetidamente. “Ele comeu pizza ontem” = ação específica completada. Imperfeito também descreve cenários: “Enquanto ele comia, telefone tocou” — “comia” estava em progresso quando outra ação interrompeu. Perfeito marca eventos: “Ele comeu, tomou banho e dormiu” — sequência de ações completadas. Em narrativas, imperfeito estabelece contexto (“Era noite escura, chovia”), perfeito avança enredo (“Ele entrou na casa”). Dominar essa distinção é crucial para narrativa fluente em português.
Verbos irregulares têm algum padrão ou preciso memorizar todos?
Há alguns padrões em subgrupos de irregulares mas muitos realmente exigem memorização. Padrões úteis: verbos derivados seguem irregularidade do verbo base — “fazer” é irregular (faz), então “refazer”, “desfazer”, “satisfazer” também são (refaz, desfaz, satisfaz). “Ter” é irregular (tem), então “conter”, “deter”, “manter” também são (contém, detém, mantém). “Vir” é irregular (vem), então “convir”, “intervir”, “provir” também são. Aprender verbo base irregular permite inferir derivados. Mas alguns irregulares são únicos sem família óbvia (“ser”, “ir”). Estratégia: concentre-se nos 20-30 irregulares mais comuns (ser, estar, ter, fazer, ir, poder, pôr, vir, ver, dar, dizer, querer, saber, trazer) — esses aparecem em 80% das conversações. Memorização vem naturalmente com exposição repetida através de leitura e conversação.
Como saber se sujeito é singular ou plural em frases complexas?
Identifique núcleo do sujeito — palavra principal que determina concordância. “O líder dos manifestantes fala” — núcleo é “líder” (singular), então verbo singular mesmo com “manifestantes” (plural) na frase. “Os líderes do movimento falam” — núcleo é “líderes” (plural), verbo plural. Sujeitos compostos (múltiplos núcleos com “e”) exigem plural: “João e Maria trabalham”. Mas “ou” pode ser singular se alternativa: “João ou Maria trabalha” (um ou outro, não ambos). Pronomes indefinidos como “tudo”, “nada”, “alguém” são singulares: “Tudo está pronto”. Coletivos (“grupo”, “equipe”, “multidão”) são singulares mas pode haver concordância ideológica: “A multidão gritava” (formal) ou “A multidão gritavam” (enfatiza pluralidade, menos formal). Quando em dúvida, identifique quem/o que executa ação — esse é sujeito que determina concordância.
Por que alguns verbos mudam radical completamente?
Mudanças radicais extremas geralmente têm origem etimológica latina ou resulta de evolução fonética ao longo de séculos. “Ir” vem de dois verbos latinos diferentes (“ire” e “vadere”) que se fundiram — “vou” vem de “vadere”, “fui” vem de “ire”, “ia” de outra forma. “Ser” combina formas de três verbos latinos diferentes (“esse”, “sedere”, “fui”). Essas fusões criaram paradigmas complexos onde formas de mesmo verbo parecem não relacionadas. “Fazer” → “faz” perdeu “e” do radical por evolução fonética natural em português. Verbos mais usados tendem a ser mais irregulares porque resistem a regularização — frequência de uso preserva formas antigas. Verbos raros tendem a regularizar-se com tempo porque falantes aplicam padrões normais. Entender etimologia é interessante mas não essencial — para uso prático, aceite irregularidades como fatos linguísticos e memorize através de prática.
Devo usar futuro “falará” ou presente “vai falar”?
Ambos expressam futuro mas “vai falar” (futuro perifrástico) é muito mais comum em português brasileiro coloquial; “falará” (futuro simples) soa formal ou literário. “Ele vai falar amanhã” vs “Ele falará amanhã” — primeiro é natural em conversação, segundo soa como discurso oficial ou texto escrito formal. Futuro simples ainda é usado em: (1) Contextos muito formais (documentos legais, discursos políticos solenes); (2) Promessas enfáticas (“Isso nunca acontecerá!”); (3) Literatura. Em 90% das situações cotidianas, “vai + infinitivo” é escolha natural. Para estudantes: aprenda ambas formas mas pratique “vai + infinitivo” para soar natural. Mesmo em escrita acadêmica, futuro perifrástico é aceitável e predominante. Futuro simples não está errado mas pode soar arcaico ou excessivamente formal dependendo de contexto.