10 Exemplos De Lendas Rurais

Las lendas rurais São aquelas narrativas que incluem eventos fantásticos que ocorrem no campo, na floresta, na selva ou em áreas pouco habitadas.

As lendas são histórias populares e anônimas de transmissão oral que se originaram para explicar diversos fenômenos, responder a inquietações, transmitir ensinamentos ou entreter.

Embora as lendas rurais incluam seres, eventos ou lugares maravilhosos ou extraordinários, elas geralmente mencionam lugares, datas ou personagens que existem ou existiram na realidade. Além disso, para muitas pessoas, essas histórias são verdadeiras, pois transmitem informações relacionadas a tradições e crenças populares.

As lendas rurais podem ser antigas ou modernas e diferem das urbanas pelos cenários em que as histórias acontecem e pelos lugares em que se originaram e por onde circulam.

Características das lendas rurais

Exemplos de lendas rurais

  1. A lenda da luz ruim

Esta é uma lenda rural da Argentina e do Uruguai. Diz-se que à noite no campo pode aparecer um espírito que se manifesta em uma luz branca ou verde. Acredita-se que esse fantasma seja uma alma perdida e que seja necessário rezar ou morder a bainha de uma faca para evitar a perseguição por parte desse ser.

Além disso, é recomendável não retornar ao local onde a luz apareceu durante o dia ou cavar um poço próximo à área. Porém, existem outras versões dessa lenda, nas quais se argumenta que a luz é realmente boa, pois indica que existem tesouros sob ela.

  1. A lenda da Telesita

Esta lenda rural narra eventos que supostamente ocorreram em Santiago del Estero, Argentina. Conta-se que uma jovem chamada Telesfora Castillo era muito pobre e costumava vagar pelo campo em busca de comida.

Numa noite de inverno, Telesphora viu uma fogueira e foi se aquecer, mas o fogo atingiu grande parte da floresta e, infelizmente, ela morreu no incêndio. No dia seguinte, as pessoas da aldeia encontraram seu corpo e ficaram muito tristes.

Acredita-se que o espírito da Telesita vagueia pelos campos e florestas, mas sempre com boas intenções, pois ajuda todas as pessoas que se perdem ou precisam de comida.

  1. A lenda do menino horticultor

Esta lenda narra eventos que supostamente ocorreram no México. Dizem que em uma casa de campo nasceu um bebê que não queria se alimentar de leite. Seus pais, muito preocupados, perguntaram ao curandeiro da aldeia o que poderiam fazer. A mulher viu o menino, percebeu que ele tinha uma marca de maguey* na barriga e disse-lhes que deviam alimentar o menino com pulque** até os sete anos de idade.

Quando o menino tinha sete anos, o curandeiro o viu novamente e disse aos pais que o menino tinha uma marca de morango nas costas e que só podia comer dessa fruta. Mas notou também que o menino tinha um desenho de milho no braço esquerdo e o de uma abóbora no direito. A mulher pensou que aquelas manchas eram um bom presságio.

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Quando o menino cresceu, muitos milagres aconteceram, pois se ele passasse por um campo, apareciam árvores frutíferas e colheitas abundantes.

*O maguey é um tipo de planta.
**Pulque é uma bebida fermentada feita de maguey.

  1. a lenda de luisão

Essa é uma lenda Guarani que circula no Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. Diz-se que existe uma maldição que afeta os sétimos filhos. Ao atingirem a adolescência, nas noites de terça e sexta-feira, esses jovens se transformam em luisón, ou seja, lobisomem ou homem-cão, e percorrem o campo para se alimentar de cadáveres. Mas assim que o sol nasce, essas feras recuperam sua aparência humana.

Além disso, acredita-se que os louisons podem transformar outras pessoas em monstros, que são guardiões das florestas e de outros animais, que punem os que cometem crimes e que podem ser afastados rezando um Pai Nosso ou fazendo o sinal da cruz.

Em algumas áreas, o luisón é mais conhecido como lobisomem ou juicho.

  1. A lenda do Sr. Noite

A lenda do Karai Pyhare, do Pombero, do Kuarahy Jára ou do Chopombé circula no Paraguai, Argentina, Uruguai, Brasil e Bolívia. Acredita-se que esse ser tenha uma aparência semelhante à de um elfo, pois é baixo e muito peludo, e costuma ser travesso ou pode atacar pessoas.

O Karai Pyhare é o guardião dos campos, florestas e animais e por isso pode perturbar ou desorientar caçadores, pescadores e lenhadores. Além disso, costuma fazer piadas pesadas com pessoas que o xingam à noite ou com quem fala mal dele.

Diz-se que se alguém vir o Karai Pyhare, deve oferecer-lhe comida, tabaco, mel ou cana, para evitar um ataque da criatura.

  1. A lenda da boneca de pano

Esta lenda mexicana fala de uma crença popular nas áreas rurais. Acredita-se que um dia, às onze horas da noite, uma boneca de pano ganhou vida e foi morar no alto de uma árvore.

Diz-se que quinzenalmente às onze horas da noite em alguns lugares ouve-se uma música assobiada, mas que não se deve ir ao local de onde vem a melodia, porque quem a produz é a boneca de pano, um malvado sendo que ele ataca aqueles que ousam se aproximar dele.

  1. A lenda do Campo de Carabobo

Esta é uma lenda venezuelana que narra eventos que supostamente ocorreram no Campo de Carabobo, local onde ocorreu a Batalha de Carabobo em 1821. Este evento foi de extrema importância, pois foi o combate em que Simón Bolívar e suas tropas derrotaram o exército espanhol e conquistou a independência da Venezuela.

Muitas pessoas dizem que nas noites de lua cheia perto do Arco do Triunfo em Carabobo, o monumento que comemora o confronto, você pode ver os espíritos de dois exércitos lutando.

  1. A lenda do Paterrato

Esta lenda colombiana conta a história de um personagem maligno. Conta-se que há muito tempo atrás havia um homem que roubava grãos e animais de outras roças e que estava sempre procurando briga com o povo da cidade.

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Um dia ele brigou com um fazendeiro e levou uma pancada muito forte em uma das pernas. Como não sabia para onde ir, ele se escondeu em uma caverna até se sentir melhor, mas sua perna não melhorou, ao contrário, começou a apodrecer. Alguns dias se passaram e esse homem se transformou em um monstro, conhecido como Paterrato.

Acredita-se que se este ser pisar em uma plantação, todas as plantas apodrecem e que vê-lo é um mau presságio, pois sua presença pode anunciar a morte de um ente querido ou outros tipos de infortúnios.

  1. A lenda da sogra do diabo

Esta lenda circula no México. Conta-se que no início do século XIX, em Santa Rita, uma camponesa, Esperanza, estava muito preocupada porque sua filha, Francisca, não conseguia marido. A mãe rezava todos os dias para que sua filha encontrasse um homem que quisesse se casar com ela, mas nunca obteve resposta. Um dia, desesperada, ela invocou o diabo e pediu o mesmo aos deuses e santos cristãos.

Algumas horas depois, um homem bateu na porta da casa das mulheres e disse à mãe:

“Posso descansar na entrada?”

“Sim, sem problemas”, ela respondeu.

Algumas horas depois, o misterioso sujeito foi embora. Ele voltou três dias depois vestido de preto montado em seu cavalo Friesian e propôs a Esperanza:

“Eu gostaria de pedir a mão de sua filha.” Meu nome é Narciso Vargas e tenho muitas riquezas. Em três dias eu virei para que possamos nos casar.

A mãe não sabia o que responder e depois contou à filha tudo o que havia acontecido, mas a jovem não estava com medo, mas feliz. Três dias se passaram, Narciso apareceu em casa e Francisca foi com ele se casar. No entanto, ao chegarem à capela da aldeia, não encontraram um padre para realizar a cerimónia, pelo que partiram para as suas terras.

Quando a jovem entrou na casa de Narciso, sentiu um calafrio e um pouco de medo. De qualquer forma, ele concordou em ficar lá até que pudessem se casar.

Alguns dias depois, Francisca foi visitar a mãe e disse-lhe:

— O Narciso é muito bom para mim, mas em casa acontecem coisas muito estranhas. Além disso, à noite, ele tem uma voz estranha e emite muito calor.

“Ah, minha filha, que desgraça! Acho que ele é o próprio diabo. sua mãe exclamou, muito preocupada “Mas não se preocupe, eu vou tirar você dessa.”

Ao entardecer, Narciso foi procurar a noiva. A mãe o conduziu e disse:

“Narciso, você acha que o diabo existe mesmo?” Porque eu não penso assim. E se for assim, acho que ele não deve ser muito esperto.

— Senhora, o diabo existe. Além do mais, você está falando com ele. Narciso respondeu.

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-Não acredito. — ela sustentou e então começou a rir alto — Se você realmente é o diabo, eu desafio você a sentar nas brasas da lareira.

Narciso deu uma pirueta, sentou nas brasas e ficou ali sem se queimar.

-Não acredito. Isso é muito fácil. Se realmente é o diabo, tem que entrar nessa garrafinha e dormir. disse a mãe.

“Esse truque é muito simples. -Ele disse.

O diabo ficou muito pequeno, pulou na garrafa e adormeceu. Esperanza arrolhou-a e cobriu-a com um cobertor embebido em água benta.

As duas mulheres saíram de casa, cavaram um poço bem fundo e enterraram a garrafa. Quando o diabo acordou, começou a praguejar, porque não sabia como escapar da armadilha. Por isso, muitos dizem que nos campos de Santa Rita se ouvem os gritos de um homem ou do senhor das trevas.

  1. A lenda do zanjón de la zancona

Esta lenda mexicana narra eventos que supostamente ocorreram em uma cidade em Cañadas de Obregón. Os camponeses viviam neste local e, como não havia iluminação pública, todos voltavam para suas casas antes do anoitecer.

Um dia, já eram dez horas da noite e Antonio não havia voltado do campo. Os aldeões ouviram um grito seguido do galope de um cavalo e alguns ficaram em suas casas, mas outros saíram para ver o que estava acontecendo.

Os barulhos vinham da igreja, então os homens foram para lá. Ao chegarem, viram que Antonio batia na porta do templo e gritava por socorro. Os vizinhos o acalmaram e perguntaram o que havia acontecido. O camponês respondeu que havia se perdido na mata enquanto pastoreava suas vacas, que uma mulher vestida de preto e muito assustadora havia aparecido na vala da palafita e fugido.

No dia seguinte, os homens da cidade foram à vala para saber quem era aquela mulher. Eles fizeram uma fogueira, que de repente se acendeu quando a noite caiu e alguns minutos depois um ser com um véu negro apareceu flutuando. Eles ficaram com muito medo, mas um homem corajoso ousou perguntar ao espectro:

-Quem é você e o que você quer?

—Sou um espírito e há muito tempo procuro minha família. Mas não estou aqui para incomodá-lo. a mulher disse e saiu.

Os camponeses, um pouco mais tranquilos, voltaram para suas casas, pois sabiam que se tratava de um bom espírito.

Referências

  • Chertudi, S. (1975). A lenda folclórica na Argentina. Relações da Sociedade Argentina de Antropologia, 9, 69-75. Disponível em: SEDICI
  • Cortázar, R. e Francisco, J. (2008). À espera dos bárbaros: lendas urbanas, boatos e imaginários sobre a violência nas cidades. Comunicação e Sociedade, (9), 59-93. Disponível em: Redalyc
  • Rosália, P. e Rionda, P. (2015). Notas para conferências: A revalorização da tradição oral como estratégia educativa. Contos do Vento.
  • Vidal de Battini, BE (1984). Contos e lendas populares da Argentina. Volumes VII e VIII. Edições Culturais Argentinas.